Reabilitação de Dependentes Químicos

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 A dependência química, como sabemos, é uma doença que envolve diversos fatores, e pesquisas mostram que o álcool é uma drogapotente, que altera a consciência e provoca graves efeitos sobre o bem-estar físico, emocional e social. Com base nesse pressuposto, o presente artigo visa apresentar os resultados  sobre o processo de reabilitação psicossocial de dependentes químicos. O método utilizado foi o dedutivo, utilizando as técnicas de observação, entrevistas e questionários aplicados aos internos e coordenadores. De acordo com a pesquisa constatamos que o bem estar do interno é um fator considerado importante para o tratamento. Ele deve estar bem consigo mesmo, pois isso traz de volta a autoconfiança e automaticamente um melhor empenho para sua própria recuperação. Nesse processo percebemos que as famílias exercem grande influência na vida e na recuperação do dependente, e que é fundamental a participação e parceria de uma equipe multiprofissional e do convívio com outros usuários. Concluímos que os internos que possuem auto-estima elevada, força de vontade e fé tem mais chances de recuperação, enquanto que outro fator essencial é o apoio da família, que juntos podem promover o bem estar e também proporcionar um ambiente saudável para sua volta

As drogas são definidas como substâncias químicas capazes de modificar a função de organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento, alterando sua função biológica e possivelmente sua estrutura. O processo de reabilitação envolve determinação, comprometimento e persistência.

Sabemos que a sua dependência é uma doença que envolve diversos fatores, destacando os biopsicossociais. O tratamento realizado a partir de terapias, atividades em grupo, esportes e atividades físicas em geral tem um valor evidente no processo de recuperação.  

 

O presente artigo mostra a realidade envolvida por trás da dependência, assim como o processo de tratamento e recuperação do dependente químico até o momento de sua reinserção na sociedade.

O processo de reabilitação é extremamente sério e deve ser abordado com muita cautela e critério, pois “Não existe ciência sem consciência, e não se pode lutar contra a droga quando se tem uma visão mecanicista do problema e quando a gente não interroga a respeito das motivações dos que se tornam usuários” 

Pesquisas indicam que a grande maioria dos dependentes químicos começa o uso na adolescência, que segundo estudiosos, nesta fase do desenvolvimento, esses adolescentes, em busca de sua identidade, estão mais sujeitos a frustrações e também mais suscetíveis a influências e quando não solucionado nesta fase tende a continuar quando adulto, que usam do vício para suprir necessidades afetivas ou fugir dos problemas e das responsabilidades que esta nova fase apresenta.

 

O consumo de drogas tende a aumentar cada vez mais para satisfazer as necessidades levando o dependente químico à autodestruição, a destruição da família e de todos que vivem ao seu redor, passando a controlar esse dependente, que deixa de cumprir sua rotina atual e sem condições de manter o vício, começa a praticar furtos dentro e fora da própria casa.

Sendo assim, quando o dependente químico decide procurar por ajuda, chega ao local de reabilitação com seu estado emocional bem debilitado, tendo como características: a irritabilidade, agressividade, mentiras, diminuição dos cuidados básicos até mesmo de higiene, incluindo, perda de valores, depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia, entre outras, precisando neste momento de toda atenção e acolhimento.

 

Um fator de suma importância para o tratamento é em relação ao bem estar do interno, que estando bem consigo mesmo, resgata a autoconfiança e obtém êxito para sua recuperação. A aceitação própria de ajuda provoca desejos de mudança e de libertação, conduzindo- o a deixar o vício.

Segundo Bucher (1998, p. 78), “quando o drogado se decide por procurar uma ajuda terapêutica, pode-se presumir que a sua motivação contenha um desejo de mudança e de libertação das drogas”, pois sabemos que não é um processo fácil, como nos apresentam Papalia, Olds e Feldman (2010, p.397) “alguns jovens têm dificuldade em lidar com tantas mudanças de uma vez e talvez precisem de ajuda para vencer os perigos ao longo do caminho”.

 

É preciso depositar nele confiança e oferecer uma gama de atividades de modo que ele consiga se "reabilitar", ou seja, melhorar suas capacidades mentais no que se refere à vida, aprendizagem, trabalho, socialização e adaptação de forma mais normalizada possível.

Para a realização dessa pesquisa utilizamos o método dedutivo, que segundo Andrade (2001, p. 131), “a dedução é caminho das consequências, pois uma cadeia de raciocínio em conexão descendente, isto é, do geral para o particular, leva a conclusão”, ou seja, partindo das teorias e leis, chega-se a previsão de acontecimentos particulares.

Os tipos de pesquisa utilizados foram: pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo. Segundo Lakatos e Marconi (1996) “a pesquisa bibliográfica trata-se do levantamento, seleção e documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisado, em livros, revistas, jornal, boletins, monografias, teses, dissertações, material cartográfico, com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com todo o material já escrito sobre o mesmo”.

Em relação à pesquisa de campo, Lakatos e Marconi (1996) relatam que "É a pesquisa que observa e coleta os dados diretamente no próprio local do fato em estudo, caracterizando-se pelo contato direto com o mesmo, sem interferência do pesquisador, pois os dados são observados e coletados tal como ocorrem espontaneamente”.

 

Os resultados nos revelam que o dependente químico procura a clínica movido pelo ideal de mudança, tem seu ingresso de forma voluntária e o tempo estabelecido para a recuperação é de nove meses. De acordo com entrevista realizada com o coordenador da clínica, o índice de evasão é grande e a quantidade de internos que terminam o tratamento chega a apenas 25% do total, um número baixo, porém ainda motivador se comparado a instituições estaduais que somam apenas 1%.

As visitas familiares ocorrem uma vez por mês e são fundamentais para que esses internos consigam atingir seus objetivos. A clínica trabalha apoiada pelo princípio da fé e afirma que o primeiro passo para o sucesso na recuperação é "aceitar a palavra de Deus".

Os questionários nos mostram que o Centro de Reabilitação para Dependentes Químicos é extremamente importante para a recuperação desses internos. O relacionamento entre internos e funcionários é baseado na confiança, respeito, amizade e apoio profissional. Durante esse processo de recuperação a falta da família e a falta de liberdade foram citadas como dificuldades de superação, enquanto que a falta de amigos é irrelevante.

De acordo com os internos, o apoio da família, os ensinamentos sobre vida, paz e Deus e o processo terapêutico adequado são itens fundamentais para a recuperação completa, satisfatória e a sua reinserção na sociedade.